"Quando der tempo, eu faço."

27.10.05

Conseguimos o diploma...(???)

Pois é... não tiraram o direito do diploma dos jornalistas. Será que eles perceberam que, se isto fosse concretizado, só faltaria voltar a gritar "uga uga!" ? Ou será que, finalmente, teve uma mobilização grande por parte da classe dos jornalistas? Será que o ego não atrapalha muito a nossa profissão (no meu caso, futura profissão)? Ou será que a gente trabalha demais e ganha de menos? Será que não existe uma conspiração por parte do senhor Presidente da República, que, notoriamente, não simpatiza muito com repórteres e outras espécies de bichos-comunicadores? Será, será, será... Nosso país parece imerso em um oceano de interrogações. Tomei como exemplo a história do diploma para chamar a atenção para isto - ?????

Tenho percebido que em tudo que escrevo, desde emails até as atualizações do blog, não param de aparecer estes malditos sinaizinhos, que são desenhados ao contrário no começo das frases no idioma espanhol. Será que estou ficando paranóico?...VIU SÓ? É MAIS FORTE QUE EU!!! (Ufa, finalmente uma exclamação...)

Brincadeiras à parte, tenho percebido algumas coisas que impulsionam o brasileiro a questionar cada vez mais. Não que isto seja ruim. Muitíssimo pelo contrário, questionar deveria ser um dever de todos. Mas perguntar a si próprio "será que alguém vai pagar o meu salário?" ou "será que eu vou perder o fim de semana trabalhando de novo, sem ganhar nada (maldito banco de horas...)" ou ainda "para onde será que o dinheiro dos impostos, que eu paguei em dia, está indo agora?...", não são perguntas que o cidadão precisa fazer. Infelizmente, a grande maioria já têm consciência da resposta.

Este mesmo cidadão perde a vontade de fazer outras perguntas. Perde o tesão de confrontar idéias com os responsáveis pela cidade, pelo estado, pelo país. Fica amofinado em um canto da casa, assistindo ao Gugu e ao Faustão aos domingos. Engole lixo de todos os lados, e não vê motivos para se levantar da poltrona e ir dar uma caminhada. Pra quê caminhar na rua? Pra ser assaltado? Pra constatar que a calçada está esburacada, e se lembrar que isto nunca vai ser consertado? Ih, melhor nem sair de carro, além dos buracos no asfalto, a gasolina também só fica mais cara... É melhor ficar assistindo o Gugu. Assim não assumo riscos, não tem o perigo de discutir com ninguém, assim me esqueço dos problemas. Além do mais, posso conversar tranquilamente pela internet.

Por favor, vamos continuar a debater os problemas do país! Não se esqueçam que vivemos em sociedade! E isto começa na atitude de cada um no trabalho, por exemplo. Aceitar e baixar as orelhas para tudo que o chefe fala não vai garantir o emprego para sempre. Assim que o lucro dele cair 1%, não vai ser em você ou na sua família que ele vai pensar. Muitas vezes, o xodó dos patrões é o bolso mesmo. E aí, "sinto muito, meu colaborador, mas não precisamos mais do seu serviço...".

E me desculpem pela quantidade de interrogações. Não vou parar de fazer perguntas.

19.10.05

Só podem estar brincando...

Estudantes de jornalismo e jornalistas em geral: vamos protestar! Era só o que faltava. Jornalista já ganha pouco, mesmo com diploma, e ainda querem tirar isso de nós? Voltar pra idade das cavernas? Não!

Retirado do site do Sindicato dos Jornalistas do RS:

O Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul está engajado na divulgação do Outubro Vermelho. No dia 26, às 14h, acontecerá em São Paulo o julgamento do diploma como requisito para o exercício do Jornalismo, um dos pilares da profissão. Em entrevista á Coletiva. Net, o presidente do sindicato gaúcho, José Carlos Torves, disse que o Rio Grande do Sul será representado em São Paulo, durante a manifestação da Fenaj ( Federação Nacional dos Jornalistas), pelo diretor sindical e repórter de economia da Zero Hora, Jorge Corrêa. "Aqui no Estado estamos distribuindo cartazes para que as pessoas se liguem no que está acontecendo e pedindo que os colegas usem uma peça de roupa vermelha no dia 26. Neste dia estaremos visitando cursos universitários e redações para discutir a importância do diploma", explicou Torves. O presidente garantiu que o clima entre os dirigentes de entidades sindicais é de otimismo. "É uma decisão muito mais política que judicial, mas estamos com muita esperança de reverter a situação", concluiu.

11.10.05

Opiniões da cobertura do referendo

Vou postar aqui um texto do Observatório da Imprensa, que diz exatamente o que eu penso quanto a barbaridade que a Veja fez na edição da semana passada. Ah, se você observar a capa da revista, vai ver os números do SIM e do NÃO trocados... jornalismo de primeiríssima qualidade... Abraços.

"Não" ao desarmamento, "sim" ao facciosismo
Alberto Dines

A matéria de capa da Veja (nº 1925, 5/10/2005, págs.78-86), sob o título geral "7 razões para votar não", é um clássico do jornalismo panfletário, capaz de convencer alguns indecisos por algum tempo e confundir outros para sempre.

Para começar: a matéria é prepotente e precipitada. Deliberadamente facciosa, sequer tenta uma isenção formal. Neste início da temporada de debates sobre o referendo das armas, com ainda três edições antes do 23 de outubro, ao invés de ensaiar uma progressiva troca de idéias capaz de suscitar o contraditório e algum esclarecimento antes de se acionar a urna, a revista berra para o leitor – "Cala boca, você não sabe nada".
Nas edições seguintes será obrigada a subir de tom, esgoelar-se, pisotear a razão, apelar para emoções ainda mais fortes. Em algum momento desta cruzada o leitor perceberá que foi ludibriado, não lhe deram tempo para pensar nem lhe ofereceram alternativas para exercer o seu discernimento.

É evidente que a questão preparada pelo TSE foi mal escolhida e mal formulada. Também é evidente que a omissão do governo em matéria de segurança – como em outras questões cruciais dominadas por palavras de ordem "politicamente corretas" – só favorece o "não" ao desarmamento.
Com a exceção do prefeito paulista José Serra e desde segunda-feira (3/10) da governadora fluminense Rosinha Mateus, ambos favoráveis ao "sim", nenhuma autoridade dispôs-se a discutir a questão com as respectivas comunidades.

O poder público retraiu-se, o Estado lava as mãos, esquecido de que na verdade ele é que está sendo julgado. Entregou a discussão às duas frentes parlamentares, multipartidárias (que, por isso, não conseguem formular uma estratégia argumentativa comum) e às ONGs dos dois campos. Sob o pretexto de não influir, o governo eclipsou-se. Abriu mão de ser governo. Aos adeptos do "sim" oferece a perspectiva de um milagre, aos militantes do "não" presenteia com a certeza de que ao cidadão só resta a opção de defender-se sozinho.

Papel mediador

O vácuo não é só do governo, também é dos partidos. Nenhum deles conseguiu a unanimidade, todos divididos – o que explica as frentes multipartidárias. O vácuo está sendo preenchido inicialmente por um bonapartismo do tipo Veja, em seguida o será pelo cesarismo de algum demagogo tipo Severino escondido num partido-arapuca.
Veja abdicou da sua capacidade de persuadir. Não confia nela ou não confia no leitor. Prefere o rolo compressor da argumentação curta, frenética e fartamente ilustrada. Aquele recurso das páginas 78-79 é pura propaganda, nenhum parentesco com jornalismo. Ao lado de um "inocente" revolver calibre 38 o título proclama: "O referendo pode proibir a venda desta arma..."; e conclui, na página frontal: "...mas nada pode fazer para tirar este arsenal das mãos dos bandidos" – e mostra 32 granadas e sacos de munição de grosso calibre.
A comprovação do facciosismo de Veja foi dada na primeira rodada do horário do TSE, na segunda-feira, quando a matéria de capa publicada dias antes foi exibida pelo partido do "não" como argumento definitivo em favor de suas teses. Parecia jogada ensaiada.

Ao contrário da mídia eletrônica controlada pela Justiça Eleitoral, a mídia impressa — a imprensa — é desregulamentada, livre. Imprensa livre não significa imprensa entregue à licenciosidade. O Jornal Nacional de segunda-feira (3/10) e O Globo do dia seguinte mostraram como se argumenta com competência, como é possível oferecer ao público elementos para a formação de juízos sem impor-lhe conclusões. Ao mostrar que 61% das armas apreendidas no Rio nos últimos seis anos passaram por pessoas sem antecedentes criminais, oferece-se ao eleitor do referendo um elemento para ajudá-lo a tomar decisões. É, em última análise, um argumento favorável ao “sim”, mas é, antes de tudo, um estímulo à reflexão.

Referendos e plebiscitos em países com partidos inconsistentes – e desde que ministrados em doses apropriadas – podem aumentar o grau de participação popular e agilizar a tomada de decisões. Sem uma imprensa lúcida, responsável, capacitada para o seu papel mediador, tanto o "sim" como o "não" podem tornar-se exercícios fúteis, espécie de "cara ou coroa" para decidir o destino de uma nação.

6.10.05

Poeminhas (III)

Como é que o aprendiz de poeta faz
Para recitar o poeminha?
"Batatinha quando nasce..."
E se não nascer a batatinha?
Na seca, vai ter que plantar alface.

Mas aí precisa mais água ainda...
E não vem a alface linda...

O jeito é esperar a chuva cair
Mas sem exageros
Senão, nem a alface, nem a batatinha
Nem o poeta
Vão poder saborear os temperos.

5.10.05

Minuano

Vento forte
Chato, às vezes.
No inverno, insuportável.
Parece que desperta
Bate na cara
Te sacode
Deixa a cara vermelha
Arrepia até a alma.
Nariz, orelhas geladas.

Por quê a gente gosta disso?
Quem gosta disso?

Estradas vazias, olhar idem
Os sinais não me levam, me deixam no lugar
Comum, eu sei.
Ou será que é só comigo?

A tristeza bate, violenta.
Morros gigantes
Céu nublado, cinza, chumbo
Praia vazia, umidade, areia fria
Eu e o Minuano.

Sós.

Volta pra casa
Rumo leve, distraído.
Só chamam a atenção...
Aqueles morros gigantes...
O céu, cinza, nublado,
A garoa
A lembrança da praia vazia
As estradas, ainda assim
Têm movimento, mas não, não...
Eu, o Minuano.

Sós.

Saudade.
Melancolia.
Mas é bom.

Cresci.